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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Condomínio é exemplo de autossustentabilidade


fonte: Tribuna do Norte - 03.09.2011

Rio Grande do Norte - Implantar ações sustentáveis em um empreendimento não é nada fácil e requer investimento considerável. Imagine então desenvolver um condomínio autossustentável que, dentre outras ações, reutiliza água servida e garrafas plásticas para a construção civil! É isso que ocorre em um empreendimento que está sendo construído próximo ao Lago Azul, no município de Nísia Floresta, na Grande Natal. Toda a água que será utilizada no condomínio - ainda está em construção e deve ficar pronto apenas em julho de 2012 - é proveniente de um poço subterrâneo.

Como na região não há ligação de esgoto, após ser utilizada, ela vai para uma estação de tratamento, que está sendo construída dentro do próprio empreendimento. Lá, ela é tratada e volta para as torneiras dos moradores, onde poderá ser usada para lavar carros, calçadas e na descarga de sanitários. Devido à grande quantidade de áreas permeáveis dentro do condomínio, depois de usada pela segunda vez, a água é absorvida pelo solo e alimenta os mananciais.

Além da água, o condomínio pretende economizar também energia, diminuindo os desperdícios com iluminação externa. Isso, porque todos os postes terão placas fotovoltaicas, alimentadas pela luz do sol. E não é só: terão também lâmpadas de LED (que economizam energia) e sensor de presença, só sendo ligadas quando há alguém passando pelo local no momento. Outro ponto importante do condomínio autossustentável é a utilização de garrafas plásticas no lugar de tijolos. A opção é mais barata (as garrafas são conseguidas gratuitamente em restaurantes) e resistente, tendo maior durabilidade que a construída de maneira "convencional".

"Usamos essa opção na infraestrutura do condomínio, mas os moradores também vão poder usá-las para construir suas casas. São necessárias cerca de 5 mil garrafas para uma casa inteira", afirmou Clésio Breseghello, sócio-diretor do empreendimento. Além disso, como não haverá a utilização de asfalto nas ruas dentro do condomínio, alagamentos estão descartados. Uma regra interna do empreendimento também proíbe o corte de árvores nativas - muitas delas, frutíferas - e obriga uma distância maior de construção das casas e da pista, facilitando a circulação do ar e, consequentemente, economizando em energia elétrica usada em ventiladores e condicionadores de ar.

O condomínio autossustentável, porém, ainda representa um investimento consideravelmente maior do que os demais da região - onde outros sete estão sendo construídos. Um lote nele custa em torno de 25% a mais que os outros. O preço é consequência do valor das tecnologias utilizadas e no tempo da construção: cerca de R$ 3,3 milhões em dois anos de obra - em média, se investe R$ 1,5 milhão na construção de um condomínio, que demora cerca de um ano para ficar pronto.

"Apesar disso, essas ações sustentáveis são revertidas na economia com taxas de condomínio. Nesse empreendimento, gasta-se menos energia e menos água, por exemplo", explica Breseghello. Além disso, segundo ele, o condomínio vai ter diversas ações que ajudarão no abatimento e na manutenção da sustentabilidade do empreendimento. "As podas das árvores, por exemplo, serão todas responsabilidade do condomínio e os galhos cortados vão ser transformados em mudas, posteriormente vendidas. O dinheiro resultante é reinvestido na manutenção dos jardins, cortando gastos".

Por isso, segundo Breseghello, apesar de ainda não existir uma "procura" por empreendimentos como os dele, há sim uma aceitação muito grande. "Para se ter uma ideia, ainda não começamos uma campanha forte de divulgação e já vendemos mais de 50% dos lotes. Ao verem a proposta do condomínio, as pessoas consideram sim, como muito importante esse contato com a natureza e a preservação ambiental que o empreendimento se propõe a fazer", afirmou o empreendedor.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Sustentabilidade em condomínios pode gerar economia e vantagens para os moradores

A sustentabilidade é uma tendência cada vez mais forte entre os condomínios, sejam eles comerciais ou residenciais. Há várias possibilidades, desde a implantação de medidas relativamente simples, como coleta seletiva de lixo ou reuso de água da chuva, até a instalação de programas completos de sustentabilidade, com a ajuda de profissionais especializados – as regras valem tanto para condomínios já estabelecidos quanto para imóveis novos. Para que os gestores possam conhecer o conceito e evitar qualquer problema ou decepção na hora de implantar um projeto desse tipo em seu condomínio, o Blog Tecnisa entrevistou Newton Figueiredo, presidente do Grupo SustentaX, que atua nessa área. Confira abaixo a entrevista:

Quais as principais ações a serem tomadas por um condomínio que decidiu empreender um programa de sustentabilidade?
Em primeiro lugar é preciso realizar um diagnóstico, para determinar o nível de sustentabilidade que o condomínio já possui e o que pode ser feito para aumentá-lo, reduzindo custos e melhorando os ambientes para os condôminos. O controle do tabaco, a coleta seletiva, a utilização de metais sanitários eficientes, a implantação de capachos especiais para contenção da poeira em todas as entradas e a limpeza “verde”, com o uso de produtos sem cloro, são passos simples, porém importantes para a adesão à sustentabilidade.

Qual o custo médio para a implantação de um programa desse tipo?
Em condomínios residenciais, o diagnóstico inicial pode custar cerca de R$ 5 mil. Somente depois desse levantamento é que é possível se fazer uma estimativa de custos totais.

Quais são as questões mais comuns a serem observadas?
São diversas medidas, e cada condomínio apresenta necessidades específicas. Mas, de uma maneira geral, as principais ações são as seguintes:

- Racionalização no consumo da água: implantação de medidas de consumo racional, como torneiras e válvulas de descargas eficientes, controle de consumo por área (sanitários, paisagismo etc), reuso da água da chuva, implantação de paisagismo com baixas necessidades hídricas e irrigação controlada, além de medidores individuais.

- Qualidade do ar no interior do condomínio: proibição do fumo nas áreas internas do empreendimento e nas áreas externas próximas às entradas, utilização de tintas, colas, vernizes e carpetes com baixa emissão de compostos orgânicos voláteis, instalação de sensores de CO2 em áreas de grande concentração de pessoas.

- Desempenho de energia: medidas de acompanhamento da performance dos sistemas e gerenciamento do consumo, treinamento para a equipe que garanta a otimizada dos sistemas, compra de equipamentos de baixo consumo (em caso de novas aquisições), que tenham selos Procel ou Energy Star. Além disso, também é possível verificar a possibilidade de comprar energias renováveis (eólica, solar fotovoltaica, solar térmica, biomassa, PCH) que causem baixo impacto ambiental, seja por geração local ou através de compra de produtores, e estabelecer um procedimento para documentar as reduções de emissão de CO2.

- Implantar um Manual de Boas Práticas preditivas, que pode ser distribuído aos condôminos.

- Implantar uma política de compras e de limpeza sustentável: utilizar produtos de limpeza de baixa toxicidade e adquirir equipamentos eficientes; implantar capachos especiais para contenção da poeira em todas as entradas; estabelecer procedimento para garantia do desempenho acústico mínimo; estabelecer procedimento para a documentação de impacto na produtividade;e, em alguns casos, estabelecer procedimento para a criação sala(s) de alívio e recuperação.

- Estabelecer procedimento para criação de espaços com acessibilidade universal;

- Implantar uma política de reciclagem de lixo, com separação, armazenagem e coleta de quaisquer tipos de recicláveis.

Quais são as principais vantagens que o condomínio tira de um programa de sustentabilidade interno?
As vantagens são inúmeras. A principal é a redução de custos, graças principalmente à otimização energética e ao melhor aproveitamento da água. Os impactos na vida dos moradores vão desde a saúde, por meio da utilização de materiais com baixos índices de Compostos Orgânicos Voláteis [poluentes atmosféricos nocivos à saúde] e do controle da qualidade do ar, até a conscientização para a preservação dos recursos naturais que podem ser colocados em prática no dia-a-dia, como a coleta seletiva.

De acordo com estudos do US Green Building Council (USGBC), entidade dos EUA responsável pela certificação LEED – Leadership in Energy and Environmental Design, critério mundial mais utilizado atualmente, as construções verdes apresentam ganho em produtividade dos funcionários, que pode chegar a 16%, reduzem em até 30% o consumo de energia, 50% o uso de água, 35% a emissão de gás carbônico, além de diminuir a poluição gerada pela construção e pela operação do empreendimento. No caso dos condomínios, os custos de manutenção e operação são até 40% menores, com vida útil prolongada.

Quais são as principais diferenças entre edifícios residenciais e comerciais?
Nos edifícios comerciais, a produtividade dos ocupantes é uma necessidade – segundo estudos, a sustentabilidade pode tornar os colaboradores até 16% mais produtivos. No edifício residencial, o que interessa é o menor valor da taxa de condomínio, a melhor qualidade do ambiente e o maior valor de revenda do imóvel.

Hoje ouvimos falar bastante de “green buildings”. Há alguma vantagem para o condomínio ser certificado com um selo desse tipo? Há incentivos governamentais, por exemplo?
No momento, no Brasil, ainda não há incentivos governamentais para que os edifícios s tornem “verdes” ou recebam a certificação. Entretanto, os próprios projetos sustentáveis se viabilizam, pelos próprios benefícios que eles proporcionam.
Já existem empresas certificadoras de sustentabilidade em condomínios no Brasil?
A certificação se dá por organismos independentes, como o Green Building Council Brasil.

Para ser efetivo, como deve funcionar um sistema de coleta seletiva de lixo? A Prefeitura, por exemplo, realiza essa coleta ou é necessário entrar em contato com outras entidades? Quem realiza esse tipo de serviço?
A principal preocupação deve ser evitar que materiais recicláveis possam acabar em aterros sanitários. Além disso, deve-se também preocupar-se com a inclusão social. Existem cooperativas que recebem os materiais e fazem a sua separação e venda para as empresas. Para mais informações, consulte o site do Instituto Brasil Ambiental (IBA) – www.ibabrasil.org.br.

Quantos condomínios sustentáveis existem hoje no Brasil?
Já existem quatro empreendimentos certificados e da ordem de 100 em processo de certificação, sendo a maioria em São Paulo.

fonte:http://www.blogtecnisa.com.br/lar/sustentabilidade-em-condominios-pode-gerar-economia-e-vantagens-para-os-moradores/