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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Notícia do Dia - Ajuda eficiente



O interessado em comprar um imóvel conta com mais um aliado na hora de avaliar o negócio – a etiqueta que aponta o nível de eficiência no uso da energia elétrica das edificações. Fruto da parceria entre o Procel Edifica, subprograma da Eletrobras/Procel, e o Instituto de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), a etiqueta já foi emitida para 80 edificações, sendo 54 para construções comerciais e 26 residenciais. Juntos, estabelecimentos comerciais e residências representam 43% do consumo de energia elétrica no Brasil, segundo dados daEmpresa de Pesquisa Energética (EPE).

A bem sucedida experiência de classificação e etiquetagem de eletrodomésticos, divididos em cinco faixas de consumo, serviu de modelo para a etiqueta das edificações, que começou a ser emitida em 2009 para edifícios públicos e comerciais e em 2010 para residências. Uma construção certificada na faixa A, a mais eficiente, chega a proporcionar ao usuário uma economia de 30% a 50% na conta de luz. “Basta que o arquiteto e o engenheiro façam um projeto eficiente. Se isso não ocorrer, o custo acaba transferido para o usuário”, alerta Fernando Perrone, gerente do Departamento de Projetos de Eficiência Energética (DTP) da Eletrobras/Procel.

Bem de maior durabilidade que pode ser adquirido por uma pessoa física, a residência tem seus custos de manutenção cada vez mais levados em conta na hora da compra. Experiências do mercado imobiliário demonstram que o consumidor está, sim, disposto a desembolsar mais agora para economizar no futuro. “Pesquisas no Guarulhos Flex apontaram que 62% dos clientes que conheciam a etiqueta Procel Edifica estavam dispostos a pagar mais pelo apartamento, ou seja, a perspectiva de aceitação é promissora”, avalia Mauricio Bernardes, gerente de Desenvolvimento Tecnológico da construtora Tecnisa. Com imóveis avaliados em mais de R$ 100 mil, o Guarulhos Flex foi o primeiro empreendimento do estado de São Paulo a receber a etiqueta Procel Edifica. O condomínio ficou classificado na faixa B de consumo, o que representa um aumento de 1% a 1,5% nos preços dos apartamentos.

A tendência, de acordo com o gerente da Tecnisa, é que os consumidores exijam cada vez mais imóveis sustentáveis, pois eles estão entendendo claramente – e valorizando – os benefícios de construções com alto padrão em termos de sustentabilidade. Assim, de acordo com Bernardes, “a aderência da sociedade e a credibilidade da etiqueta Procel para eletroeletrônicos foi vista pela Tecnisa como uma oportunidade de adotar o mesmo conceito para edificações”.

Ventilação, iluminação e água

A boa utilização da ventilação e iluminação naturais, a eficiência dos sistemas de aquecimento de água e o desempenho térmico de revestimentos em coberturas e fachadas são alguns dos requisitos técnicos considerados no processo de etiquetagem, segundo os padrões estabelecidos em conjunto pela Secretaria Técnica de Edificações, coordenada pelo Procel Edifica, e o Laboratório de Eficiência Energética em Edificações da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A ideia é integrar os conceitos de conforto ambiental da arquitetura aos de construção sustentável da engenharia civil.

Para que essa integração seja possível, porém, é essencial que os profissionais que planejam as edificações tenham consciência de que ela não só é possível como desejável. “Atuamos diretamente no processo de formação e capacitação de mão de obra qualificada”, informa Perrone. Nessa frente educacional, a Eletrobras/Procel trabalha em parceria com 14 universidades federais, espalhadas por todas as regiões brasileiras, e uma privada, a PUC do Paraná.

O trabalho do Procel Edifica começa a ser valorizado pela sociedade. Por atuar não só na elaboração de processos de certificação de eficiência energética para edificações, como também na pesquisa acadêmica, capacitação de profissionais, conscientização da população e disseminação de boas práticas no mercado, o programa foi indicado ao prêmio Green Building Brasil na categoria "Políticas Públicas Sustentáveis". Saiba mais aqui.

fonte: ProcelInfo

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

10 tendências em sustentabilidade nas empresas


Algumas das maiores marcas globais levantaram suas bandeiras em nome da sustentabilidade em 2010. Apesar da economia instável, algumas empresas iniciaram seus esforços sobre o tema e outras até dobraram seus investimentos nesta área. Esse movimento confirma a já ultrapassada percepção de que a sustentabilidade não é um conceito válido apenas em períodos de bonança e, sim, uma causa fundamental para a perenidade das organizações.
Um modelo mental voltado à sustentabilidade é um fator crucial para a construção de marca e manutenção da competitividade. O investimento em ações de sustentabilidade corresponde à expectativa do público, que espera por resultados concretos das empresas. A pesquisa goodpurpose, realizada pela Edelman Significa, revelou que, em 2010, 81% dos brasileiros mostraram-se mais propensos a comprar produtos de marcas que apoiam causas. Ou seja, não se trata apenas de mais uma preocupação, mas sim de uma exigência do público.
Além de incorporarem os preceitos da sustentabilidade, empresas também devem desenvolver suas ações de forma alinhada aos valorescorporativos e comunicá-las com transparência e autenticidade. Segundo outra pesquisa, a Trust Barometer, é necessário agir com consistência sobre a  sustentabilidade, já que 57% dos brasileiros acreditam que as empresas apoiam causas não por desejo genuíno e sim por interesse na autopromoção.
Buscar o grupo de ações que deve ser guiado por estes princípios foi a tarefa do GreenBiz, portal especializado em  sustentabilidade empresarial, em seu relatório State of Green Business 2011, lançado em fevereiro deste ano. As 10 principais tendências em sustentabilidade que devem fazer diferença neste ano para as empresas foram traçadas por meio das cerca de 2.200 reportagens, posts, artigos e podcasts publicados em 2010 nos quatro canais do GreenBiz – ClimateBiz, GreenerBuildings, GreenerComputing e GreenerDesign.
Conheça, abaixo, as dez tendências, segundo o relatório do GreenBiz:
1- Gigantes do consumo acordam para o “verde”
Empresas que produzem artigos de alto consumo, como a das categorias de limpeza, alimentos industrializados e higiene pessoal, possuíam um histórico de relutância para atuar com a sustentabilidade, por acreditar que o tema fosse arriscado para seus negócios. Entretanto, este cenário alterou-se radicalmente há alguns anos e as maiores marcas do setor mostraram-se atuantes em suas propostas, como é o caso da Kraft, Procter & Gamble, Unilever e Walmart. O estabelecimento de metas ambiciosas para redução de suas emissões de gases estufa, aumento da reciclagem, redução do uso da água, eficiência energética, uso de energia alternativa, entre outras, são suas principais ações. Um dos exemplos é o Sustainable Living Plan, anunciado em novembro do ano passado pela Unilever, que coloca como prioridade da empresa reduzir metade de seu impacto ambiental até 2020.
2- Empresas almejam o “zero”
Diversas empresas colocaram a meta “zero lixo” em suas perspectivas de negócio. A General Motors, por exemplo, anunciou em dezembro de 2010 que mais da metade de suas 146 indústrias já atingiram o estágio de conseguir reciclar todo o descarte gerado por sua produção. Outras empresas já acertaram suas metas, como a Procter & Gamble, o que revela uma tendência que será encaminhada para este e os próximos anos.
3- Países em desenvolvimento ganham importância na cadeia de suprimentos
A extração de commodities em países em desenvolvimento passou a ser melhor analisada. Ou seja, a produção de minerais, como, por exemplo, o óleo de palma – matéria prima para a produção de diversos alimentos processados – passou a receber atenção maior por parte das empresas. A preocupação com a construção de uma cadeia de produção socialmente responsável inclui a capacitação dos produtores, com programas de geração de renda e incentivo ao empreendedorismo.
4- Transporte “verde” para maior eficiência energética
O ano de 2010 será lembrado pelo nascimento dos veículos elétricos, como os modelos Chevy Volt e Nissan Leaf. Mas as tecnologias e práticas verdes estão emergindo não só para a terra, mas também para o mar e o ar. A Maersk passou a verificar suas emissões de carbono a cada navio em operação; a Alaska Airlines iniciou alguns testes de redução de emissões em seus voos e a FedEx desenvolveu um programa que pretende aumentar em 20% a eficiência do combustível usado em suas operações até 2020. E estes são apenas alguns dos projetos.
5- Alimentação sustentável transforma-se no prato principal
Não faz muito tempo que a agricultura sustentável estava reservada à indústria da alimentação natural, voltada para um mercado de consumidores de nicho preocupados com alimentação saudável. Entretanto, a agricultura sustentável expandiu-se e grandes empresas estão arcando com compromissos neste campo de atuação. O Walmart investiu no ano passado US$ 1 milhão em pequenos e médios fazendeiros para capacitá-los a cultivar de forma sustentável. A Cool Farm Tool da Unilever é outro exemplo de ação que, por sua vez, ajuda a mensurar a emissão de gases estufa das práticas de cultivo.
6- Certificações para todas as indústrias
Existem diversas certificações relacionadas ao negócio sustentável, mas para algumas categorias específicas de produto, restam lacunas. Para isso, organizações e empresas estão fazendo sua parte. O Underwriters Laboratories, por exemplo, criou uma certificação para a indústria dos telefones celulares. A UPS lançou uma certificação para as embalagens responsáveis e um grupo de empresas de vestuário e calçados, que inclui a Levi’s e a Timberland, lançou o Eco Index. A Nike, por sua vez, desenvolveu seu Environmental Apparel Design Tool, para a criação de roupas feitas a partir de material orgânico.
7- Preocupações tóxicas incentivarão alternativas verdes 
A revelação de ingredientes tóxicos nos bens de consumo atingiu um pico em 2010, com a crescente importância do tema nas agendas das empresas, ativistas e órgãos regulatórios. Esse movimento jogou luz ao campo da química verde, uma área em crescimento que busca transformar a maneira pela qual os produtos são fabricados, reduzindo ou eliminando determinadas substâncias que podem ser prejudiciais à saúde, além, também, da redução do impacto ambiental na produção. A BASF e a Dow, por exemplo, desenvolveram uma nova maneira de fabricar o óxido de propileno, que tem uma demanda global de 14 bilhões de toneladas, com redução em 80% do uso da água e 35% de energia.
8- A preocupação com o uso da água só cresce
A preocupação com a redução do uso da água nos processos produtivos estava reservada a empresas que possuíam este subsídio como fundamental em suas atividades. Diversas empresas têm percebido que analisar seu uso da água pode ajudá-las a encontrar oportunidades para eficiência e otimização na produção, além de inovação. Um exemplo é o caso Water
9- Empresas aprendem a fechar o ciclo
A promessa de uma sociedade com ciclo fechado – onde tudo seria reciclado e transformado em novos produtos e embalagens – parece estar cada vez mais próxima de ser cumprida. As empresas têm encontrado maneiras de transformar produtos, principalmente embalagens, em novos. Exemplos não faltam, como a Starbucks que pretende reciclar 100% de seus copos até 2015 e parcerias de empresas com a TerraCyle, empresa de upcylcing, como é o caso da Nestlé aqui no Brasil.
10- Bioplásticos transformam-se em embalagens
Durante anos, a pesquisa por alternativas ao plástico derivado de petróleo liderou o trabalho de especialistas por diversos caminhos. Mas, em 2010, o bioplástico atingiu mais importância na agenda das empresas. Uma subsidiária da Coca-Cola, a Odwalla, afirmou que já substitui suas embalagens de bebidas por plástico derivado de melaço e cana de açúcar e a Pepsico, com a embalagem de seu salgadinho Frito-Lay, feito a partir de um polímero de milho, são alguns dos exemplos.
Além das tendências, o relatório mede a sustentabilidade da economia norte-americana a partir de 20 indicadores, desde o nível das emissões de gases até o investimento em relatórios de sustentabilidade. Confira o estudo completo aqui.
Joel Makower, fundador do GreenBiz, destaca a atuação de grandes marcas na sustentabilidade


quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Mercado da Construção Civil & Sustentabilidade



Artigo: Profa.Dra. Sasquia Obata 

Sabe-se que a cadeia produtiva das construções somente é impulsionada pela vontade dos empresários e suas ações empreendedoras, contudo esta mesma cadeia produtiva somente continuará “muito bem ativa” se estas ações contribuírem para as bases da sustentabilidade, proporcionando o equilíbrio sócio – econômico – ambiental.

Algo muito certo entre os empreendedores são as responsabilidades do capital e o seu retorno financeiro tendo como produto a construção, mas:

• A fase das construções comuns, tem uma duração em média de 1 a 2 anos, e este setor consome de 45 a 75% dos recursos naturais e produz as maiores emissões de gases do efeito estufa, cerca de 60% do total que correspondente a 1,5 vezes as emissões da fase de uso e ocupação.
• Na fase de uso e ocupação das construções, são notados os maiores custos e consumo de recursos como água, energia, percepção do desempenho e conforto do ambiente, além dos custos para as manutenções, representando cerca de 80% do total do custo da construção considerando a sua vida útil. Quanto às emissões de gases de efeito estufa, esta fase, corresponde a 40% das emissões totais.

Hoje no mercado, é muito comum, utilizar as estratégias na fase de construção, através de ações simples como os destinos de resíduos e reciclagens de materiais, origem dos materiais, racionalizações, etc., que impactam diretamente no bolso e no retorno mais que imediato do capital, isto é visível e sensível.

Mas deve-se ter a sensibilização e aculturamento do empresariado e dos participantes da cadeia produtiva no investimento de obras e projetos com pegadas sustentáveis ou mesmo que busquem as certificações sustentáveis, uma vez que isto possibilita, caso a construção seja de sua operacionalização ou de uso corporativo, o retorno dos investimentos em projetos integrados, sistêmicos e com certificações, entre 3 a 4 anos, já o retorno financeiro em uso e operação da construção é superior a aplicações financeiras devido as reduções de consumos de água, energia e manutenções, ficando em torno de 2 a 3,8% ao mês.

Por outro lado se a empresa construtora somente comercializa o seu produto no mercado, deve analisar seu papel na adoção de pegadas sustentáveis como diferencial de imagem e marketing. Mas, caso o par, imagem & marketing, não seja seu objetivo imediato, terá que analisar sua responsabilidade na oferta de um produto melhor e com menos impactos ao meio ambiente, qual sua colaboração para a redução dos custos de uso e ocupação, para que seus clientes e o meio ambiente não tenham que arcar com este ônus, além do fato dos recursos naturais utilizados nas suas construções serem finitos.

Portanto esta ação de tornar as construções com maiores pegadas sustentáveis depende da decisão e participação dos empresários e empreendedores, pois, os clientes e compradores, em quase toda a sua totalidade, desconhecem ou são inconscientes destes impactos, são somente usuários, não são da área da construção e sabem tão somente que estão adquirindo um bem durável e entendem a construção simplesmente como o seu lar, o seu escritório, o seu edifício, a sua morada, e não possuem os comparativos de custos entre uma construção com concepções sustentáveis e as construções comuns. De modo lúdico, trata-se de brincar de esconde-esconde, quando se tem o conhecimento dos diferenciais de projetos bem resolvidos e seu usuário não enxerga os custos e consumos elevados que estarão diluídos durante todo o ciclo de vida da construção.

Mas todo este encargo de tornar as construções melhores não recai somente nas empresas e empreendedores atuantes no mercado, pois este mercado é predatório, competitivo, no qual a engenharia de valor está muito mais para redução de custos e retornos financeiros, ficando muito distante a análise de se aplicar e investir em sustentabilidade e certificações (o dilema sustentável financeiro: se ou outro está lucrando assim, não vou lucrar também? Vou deixar de lucrar mais? Vou perder mercado?).

Portanto, há que ter um sistema regulatório, que é a responsabilidade do lado governamental, na busca e cobrança para a sustentabilidade das construções, tendo as legislações neste embate, de fazer vingar exigências e normas que balizam as aplicações sustentáveis nas construções.

A referência disto são os países em que as certificações estão consolidadas, onde o não fazer uma obra com aplicações sustentáveis implica na não aprovação do projeto no órgão governamental ou no órgão regulador, representando algo mal projetado e com concepção incorreta, nestes países a certificação sustentável é só mais um diferencial.

Retornando ao lado empresarial e enquanto temos que aguardar novos planos diretores, revisões de códigos com parâmetros de sustentabilidade, situação esta um pouco distante e de resultado moroso, cabe pensar no capital conhecimento e inteligência corporativa, e se as empresas neste tempo saberão aproveitar a oportunidade para formar equipes consistentes e especializadas nesta área, criando a sua própria cultura em sustentabilidade nas construções, ou ficará na espera das cobranças para correr atrás do prejuízo com consultorias e treinamentos pesados e simples absorção de técnicas.
Em sendo assim, entende-se que o empresariado deve buscar a formação de seus colaboradores em construções com sustentabilidade, especializando-os, como o primeiro passo (é sabido que ensino superior habilita os profissionais de forma ampla, mas não especificamente em construções sustentáveis) para praticar e caminhar de modo crescente a ponto de se tornar vantagem competitiva e diferencial. Pode-se predizer que aos primeiros aderentes na formação de seu capital intelectual em construções sustentáveis, estarão prontos e mais que habilitados para praticarem sem grandes transtornos as ações sustentáveis nas construções quando do liminar das cobranças tanto mercadológica, éticas, morais e governamentais.

Adiciono ainda a seguinte condição de operacionalização perante o mercado e partindo do pressuposto de formar especialistas da própria empresa como o caminho ideal, para que as transições e mudanças se façam segundo a cultura da empresa e para que possam executar construções com pegadas sustentáveis ao seu melhor ritmo, pois atualmente o mercado possui poucos profissionais habilitados e consultores, razão exposta sobre a formação geral dos profissionais atuantes.

A conjuntura atual das construções sustentáveis é equivalente a introdução de qualquer nova demanda, como foram as certificações de qualidade e que hoje são tão comuns, as ISOs, assim como a época em que
as tecnologias de recuperações das construções tinham que contar com uma empresa construtora, uma projetista e uma empresa consultora para assistir as novas considerações e tecnologias aplicadas. Deste cenário pode-se extrair que as primeiras empresas que aderiam culturalmente a demanda, puderam se expor “na vitrine de inovadores e destaque no mercado”, com inteligência corporativa consolidada, já as outras correram atrás das exigências e prejuízos de não serem.

Como o mercado construtivo está incipiente em aplicações de sustentabilidade, são indicadas para o nível estratégico empresarial as especializações em gestões para sustentabilidade, que são em si releituras de ações estratégicas aplicadas neste sentido, mas a questão é como fazer a gestão, como gerenciar e gestar as ações se ao mesmo tempo não se tem nas empresas profissionais habilitados em sustentabilidades das construções, não se tem especialistas plenos. Portanto é preciso criar a base de profissionais e esta infraestrutura intelectual para que o staff empresarial opere com as abordagens específicas ou generalistas de gestões (podem ser adaptações de enfoques estratégicos comuns ou de fato serem adaptações estratégicas às construções).

Finalmente cabe salientar que gestar e realizar a gestão sem ter as bases das melhores referências e melhores práticas de sustentabilidade no setor construtivo, é infelizmente querer pular uma etapa ou desconhecer o que pode ser considerado já como história e ter que repetir esta etapa com estudos adicionais.

Fico a disposição para uma conversa sobre ações sustentáveis nas construções.


Profa. Dra. Sasquia Hizuru Obata 
Docente da FAAP e Universidade Cruzeiro do Sul 
Consultora em Sustentabilidade nas Construções 
Coordenadora do Curso de Pós-Graduação Lato-Sensu em Construções Sustentáveis da FAAP 
sasquia@terra.com.br ou sasquia.obata@gmail.com 
tel:             (11) 8162-7656      


terça-feira, 13 de setembro de 2011

Saiba o que significam os principais selos ecológicos do mercado




Brasil - Existem no mercado dezenas de certificadoras que avaliam o quanto um produto é ambientalmente adequado. Diante de tanta variedade, o consumidor fica atordoado e pode se confundir. Além disso, há ainda um outro problema: algumas empresas usam selos autodeclaratórios, que são colocados nos produtos pelos próprios fabricantes. Isso gera mais confusão, já que estes símbolos aparecem camuflados no rótulo e não possuem a credibilidade de um organismo certificador independente, mas que podem ser encarados como tal. 
Como toda compra está sujeita ao ato de comparar e escolher, estes selos são de extrema importância para que o cliente antenado com as questões ambientais não seja lesado por uma produção irresponsável. Mas toda atitude “verde” de consumidores, além de envolver questões como preço, qualidade, quantidade, tamanho, também demandam uma palavrinha muito importante: informação.
Por isso separamos abaixo uma breve explicação do que representam os principais selos ecológicos conferidos por certificadoras no mercado.

Procel: Este selo serve para certificar equipamentos eletrônicos e eletrodomésticos. O selo doPrograma Nacional de Conservação de Energia Elétrica indica os produtos que apresentam os melhores níveis de eficiência energética dentro de cada categoria. Os equipamentos passam por rigorosos testes feitos em laboratórios credenciados no programa. Foi criado para melhorar a compra por parte dos consumidores finais e, ao mesmo tempo, estimular os fabricantes a procurarem a evolução do desempenho energético dos seus equipamentos.
FSC (Forest Stewardship Council): Certifica áreas e produtos florestais, como toras de madeira, móveis, lenha, papel, nozes e sementes. Este selo atesta que o produto vem de um processo produtivo ecologicamente adequado, socialmente justo e economicamente viável. O processo de concessão do selo depende do atendimento a dez princípios, entre eles a obediência às leis ambientais, o respeito aos direitos dos povos indígenas e a regularização fundiária.

LEED (Liderança em Energia e Design Ambiental): Este selo é usado para certificar edificações. É concedido a prédios que minimizam impactos ambientais, tanto na fase de construção quanto na de uso. Materiais renováveis, implantação de sistemas que economizem energia elétrica, água e gás e controle da poluição durante a construção são alguns dos critérios.

IBD (Instituto Biodinâmico): Ele garante a responsabilidade ambiental da produção de alimentos, cosméticos e algodão orgânicos. Além de cumprir os requisitos básicos para a produção orgânica (como fazer rotação de culturas e não usar agrotóxicos), garante que a fabricação daquele produto obedece ao Código Florestal Brasileiro e às leis trabalhistas. Os produtos industrializados devem ter ao menos 95% de ingredientes orgânicos certificados – a água e o sal são desconsiderados nesse cálculo tanto para cosméticos quanto para alimentos.

ECOCERT: Este selo também certifica alimentos orgânicos e cosméticos naturais ou orgânicos. Ele estipula que os alimentos processados devem conter um mínimo de 95% de ingredientes orgânicos para serem certificados. Para ganhar um selo de cosmético orgânico, um produto deve ter ao menos 95% de ingredientes vegetais e 95% destes ingredientes devem ser orgânicos certificados – no caso de cosméticos naturais, 50% dos insumos vegetais devem ser orgânicos.

Existem vários outros selos destinados às mais diversas áreas, como gestão ambiental de empresas e empreendimentos, produtos agrícolas etc. Procure conhecê-los, eles são muito importantes para garantir o consumo consciente.

fonte: ProcelInfo

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

ENERGIA MAIS ECONÔMICA: Adeus às lâmpadas de 60 Watts na Alemanha



A partir da última quinta-feira (01/09) está proibida a comercialização de lâmpadas de 60 watts na Alemanha. A decisão foi tomada por líderes europeus que pretendem trocar todas as lâmpadas incandescentes por lâmpadas econômicas até o final de 2012.

Embora as opiniões sobre a real economia no consumo que será feita com o uso das novas lâmpadas ainda sejam divergentes, a aceitação da população é cada vez maior – quatro em cada cinco alemães aceitam a proibição das lâmpadas tradicionais.

É o que revela o estudo realizado pelo Instituto de Pesquisas Emnid. Cerca de 79% dos entrevistados disseram que é correto utilizar uma iluminação eficiente com a finalidade de proteger o meio ambiente. Dois terços já têm procurado no comércio as novas lâmpadas e para a maioria o preco é uma questão secundária.

De acordo com a Agência Federal do Meio Ambiente (UBA) a principal vantagem das lâmpadas econômicas é a redução em até 75% do consumo de energia e das emissões de dióxido de carbono. Além disso, sua vida útil é muito maior. Uma lâmpada econômica poderia substituir de dez a 15 lâmpadas tradicionais.

Fonte: Juliana Echer Manto (Centro Alemão de Informação)


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

"Rio vai ter que superar Londres por Olimpíadas mais verdes"


Executivo da CH2M HILL, construtora que participou do consórcio responsável pelo projeto e execução dos Jogos de 2012, diz que para ser sustentável é preciso dedicação à excelência

Arena de Basquete para os Jogos Olímpicos de Londres
Teste na arena de basquete: estádio pode ser desmontado para ser reerguido em outra cidade.


São Paulo - O sonho britânico de realizar as Olimpíadas mais verdes de que se tem notícia está se tornando realidade. Há pouco mais de um ano para a cerimônia de abertura, os estádios, erguidos dentro dos padrões da construção sustentável, estão entrando em fase de testes.

O segredo? “Dedicação à excelência para atingir objetivos”, afirma Michael A. Szomjassy, presidente da área ambiental da CH2M HILL.
A construtora americana integrou, junto com a Mace e Laing O'Rourkeo, o consórcio responsável pelo planejamento, design e construção da infraestrutura dos Jogos Olímpicos de Londres 2012. Em entrevista àEXAME.com, Szomjassy avalia o desempenho da cidade sede em atingir metas e fala de suas expectativas para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro – que também pleiteia o título de Olimpíadas verdes.
EXAME.com - Como Londres está se saindo até agora?
Michael A. Szomjassy - O último centro esportivo em construção foi entregue há duas semanas, um ano antes das Olimpíadas. Isso diz muita coisa. Sob liderança da autoridade Olímpica, todas as equipes envolvidas no projeto, de empreiteiras a parceiros, trabalharam seguindo à risca um conjunto consistente de diretrizes e metas. Isso permitiu que todos ficassem alinhados com os objetivos globais de sustentabilidade, de custos, segurança e cronograma.

EXAME.com - O que contribui para esse desempenho e qual o qual o papel da pontualidade aí?

Michael A. Szomjassy - A construção sustentável não leva mais tempo do que a construção radicional, mas a sustentabilidade tem que estar inserida em todo o processo do planejamento à operação. Agora, as chaves do sucesso estão no senso de liderança da cidade alinhado a uma visão clara, planejamento minucioso e excelente execução na fase de entrega, o que também permite reduzir custos.

EXAME.com - Quanto custa ser verde?

Michael A. Szomjassy - Ser verde não necessariamente custa mais. E o retorno a longo prazo sobre o investimento em edifícios e infra-estrutura sustentáveis é muitas vezes melhor do que o da construção por métodos tradicionais. Londres vai realizar as Olimpíadas mais sustentáveis, ainda assim o governo britânico informou recentemente que o custo final deverá ficar aproximadamente 3 bilhões de dólares abaixo do orçamento inicial, uma conquista inigualável, tendo em conta as condições econômicas do país.
EXAME.com - Quais ações e projetos britânicos podem inspirar o Brasil? Temos alguma vantagem sobre Londres?
Michael A. Szomjassy - O Rio tem um conjunto diferente de questões, que vai exigir soluções específicas. Em Londres, as obras de infra-estrutura se concentraram numa área principal [uma antiga região industrial com grave problema de terrenos contaminados], enquanto os Jogos no Rio se distribuirão por vários locais, que exigirão construção de estradas adicionais e outros elementos.


sábado, 20 de agosto de 2011

"Temos que reinventar um novo modo de estar no mundo' Leonardo Boff



Um dos redatores da Carta da Terra, o teólogo e professor Leonardo Boff afirmou, recentemente, que o conceito de sustentabilidade nasceu de um novo olhar sobre o planeta, da preocupação com o meio. Ele observou ainda que o primeiro passo para a sustentabilidade é resgatar o sentimento, a sensibilidade. E o segundo, seria o resgate do cuidado, pré-condição para que algo possa viver.

"O maior crime do mundo é a insensibilidade, não podemos nos acostumar com a pobreza, a miséria e a devastação do meio ambiente. Pra que isso não aconteça é preciso cuidar, fator primordial para a manutenção da vida. Proteger é garantir a sustentabilidade", ressaltou Boff.

Ao participar, no início deste mês, do lançamento do Movimento Paraná Educando na Sustentabilidade, iniciativa do Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial (CPCE), por meio do Núcleo de Instituições Educacionais (IED), o teólogo salientou a necessidade de o ser humano praticar valores cada vez mais esquecidos.

"Temos que reinventar um novo modo de estar no mundo. Aprender a satisfazer nossas necessidades com sentido de solidariedade para com os outros e com o futuro. Ou mudamos ou vamos ao encontro de tragédias ecológicas e humanitárias" - Leonardo Boff

O teólogo também apontou que a educação é a porta de entrada para um novo começo. "Vivemos um momento de crise, de confronto entre o homem e a natureza. O grande desafio é encontrar um meio de habitar o planeta, de tal maneira, que consigamos manter o equilíbrio da Terra como ser vivo. E a educação pode promover a consciência cidadã, aquela capaz de proteger e cuidar de tudo que está ao nosso redor", sugeriu Leonardo Boff.

Com informações do Portal ODM


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Exportação de sustentabilidade

Conhecimento para a sustentabilidade: aos peritos ambientais da América Latina, a Inwent e a Universidade de Lüneburg oferecem uma capacitação que une a teoria e a prática.

A pequena bolsa é ideal para um celular. Ela é branca, com estampado verde-rubro, parece de crochê. E é realmente – só que não é feita com a linha habitual, mas sim com um saco plástico. Limpo, cortado em tiras bem finas e então trabalhado para fazer a bolsa de celular. A ideia de produzir bolsas e chapéus a partir de sacos plásticos foi desenvolvida por Vietnam Pereira, juntamente com antigos colegas de trabalho. Daí surgiu entretanto um projeto e já existem os primeiros protótipos. Mas não deve parar por aí. O projeto das bolsas é parte de um curso de master, que Vietnam Pereira frequenta atualmente. A colombiana de 33 anos estudou Biologia em Bogotá e está na Alemanha desde outubro de 2008. Depois de trabalhar vários anos para uma iniciativa ambiental, ela queria melhorar a sua capacitação. “Na minha busca, acabei chegando à Inwent. E isto era exatamente o que eu estava procurando”, conta Vietnam Pereira.

Inwent é uma empresa que fomenta projetos internacionais de capacitação e desenvolvimento por encargo do governo federal. Em cooperação com o Centre for Sustainability Management da Universidade Leuphana, em Lüneburg, Inwent oferece um programa de capacitação no qual 20 moças e rapazes da América Latina, com boa formação profissional, podem ampliar seus conhecimentos técnicos. No fim do “Treinamento Internacional de Liderança na Gerência de Sustentabilidade”, cada um dos participantes deve obter um diploma adicional de master. Ponto central do programa é a formação em desenvolvimento sustentável. Sustentabilidade, isto significa orientar os desenvolvimentos econômicos e sociais de tal forma, que eles correspondam às necessidades da sociedade de hoje, mas ao mesmo tempo não representem nenhum dano para as gerações posteriores. O programa da Inwent e da Universidade de Lüneburg inclui, ao lado de uma estada de um ano na Alemanha, aulas de idioma e a capacitação em administração social de empresa e em segurança do trabalho e da saúde. Como a teoria é aplicada na prática, isto Vietnam Pereira aprende num estágio de quatro meses. Desde abril, ela está na TransFair, em Colônia. “Aqui eu aprendo o que significa comercializar sob condições justas”, afirma. “Para mim, são muito importantes as experiências que estou obtendo no meu trabalho na TransFair e na minha estada na Alemanha. Todo dia, eu aprendo algo ­novo e posso aplicar meus conhecimentos técnicos”.

É exatamente o que Vietnam Pereira necessita na sua volta para a Colômbia. Com seu projeto de transferência, com os sacos plásticos, deverão surgir lá, sob condições sociais justas, bolsas e chapéus, cintos e pulseiras. “Os sacos plásticos, que se recebe gratuitamente na Colômbia em todo supermercado, são um grande problema”, afirma Vietnam Pereira. “Depois das compras, eles são jogados no lixo, quase sem terem sido usados”. Um outro problema colombiano é a pobreza nas favelas de Bogotá. Vietnam Pereira planeja fazer algo contra os dois problemas. Assim, as bolsas de sacos plásticos deverão ser produzidas pelas mulheres desamparadas exatamente nessas favelas. “As mulheres receberão de mim a ideia, o conhecimento e a ajuda, a fim de que possam unir-se numa cooperativa”, esclarece. “E, então, deverão trabalhar de forma autônoma. O lucro de venda deve beneficiar exclusivamente as mulheres”.

As bolsas de Vietnam Pereira não são o único projeto de transferência, que surge durante um curso de master. Cada um dos vinte participantes desenvolve uma ideia própria, que deverá depois ser posta em prática no respectivo país de origem. Paulo Camargo, de 28 anos, estudou Biologia em São Paulo. “A Alemanha é um modelo nas questões de meio ambiente e sustentabilidade. Aqui eu aprendo os padrões internacionais, por exemplo, na segurança do trabalho”. Sua projeto de transferência denomina-se “Rádio Ecowelle”. Em cooperação com uma emissora local de rádio em São Paulo, deverão ser transmitidos regularmente curtos spots que tratam do trânsito na cidade, da reciclagem do lixo ou da poluição dos rios. “Meu objetivo é chamar a atenção das pessoas para o fato de que todos são corresponsáveis”. Pois, apesar da reciclagem do lixo e da ampla rede viária, os brasileiros dão pouca atenção ao seu meio ambiente.

Bolsas de sacos plásticos ou um programa de rádio para alertar – Karen Pacheco, da Inwent, sabe que nem sempre é muito fácil implementar os projetos de transferência nos países de origem dos participantes. Ela orienta os participantes durante a sua estada na Alemanha. “Nossos formandos fazem trabalho pioneiro. Após seu retorno, eles têm de convencer seus colegas de trabalho de que a sustentabilidade é importante”. Ao lado das experiências técnicas, que Vietnam Pereira e Paulo Camargo obtêm na Alemanha, são principalmente os contatos estabelecidos aqui, que deverão ajudá-los no trabalho em seus países. “Nós, os participantes, vamos cooperar através das fronteiras e continuar desenvolvendo as nossas ideias, afirma Paulo Camargo. E Vietnam Pereira acrescenta: “Se o contato com as empresas em que fazemos estágio continuar de forma tão intensa e os nossos projetos tiverem êxito, então avançaremos um bom pedaço”.


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O que fazer com o lixo dos hotéis?


Transforme-o em empreendimento social


Provavelmente as pessoas não percebem que hotéis, pela natureza de sua operação, são grandes geradores de lixo. A hospitalidade que nos oferecem tem um preço tangível para nossos bolsos e outro, intangível, para o ambiente.

Shawn Seipler era vice-presidente da Channel Online, um serviço que liga fabricantes, fornecedores e consumidores para a obtenção de melhores custos em produtos e serviços. Como tal, viajava muito, e vivia se hospedando em hotéis. Começou a se dar conta da quantidade de lixo gerada mas, o que é mais importante, viu nisso uma oportunidade de um empreendimento social. Foi daí que surgiu a CleanTheWorld.org, que coleta sobras de sabonete de hotéis, as higieniza e as envia para comunidades pobres em 45 países do mundo, relata o About My Planet. São 8.5 milhões de barras de sabonete despachadas por mês.

Talvez um dia se possa dizer que tudo começou com sabonetes. Seipler quer estender a idéia e começar a tratar das milhões de toneladas de sobras de comida, lixo e outros resíduos que os hotéis descartam o tempo todo. Sua nova iniciativa, Clean the World Mobile Waste, vai usar grandes unidades móveis para transformar lixo em energia. “O que nossas unidades vão fazer é ir até um hotel, coletar lixo orgânico e outros materiais recicláveis, processá-los e vender a eletricidade para o hotel a um preço mais baixo do que ele está pagando", diz Seipler. Não é um conceito novo, mas usar hotéis como geradores e consumidores de energia certamente é uma novidade. Hotéis têm restrições por falta de espaço e uma mania com limpeza e estética. O empresário acha que eles estão abertos à nova tecnologia se isso se traduzir em benefício para suas atividades.

Patricia Griffin, presidente e fundadora da Green Hotels Association, acredita que a idéia tem potencial: "Se transformar lixo em energia funcionar para eles, eles irão aderir". Seipler afirma que sua primeira unidade comercial estará disponível em 2012 na Europa e na América do Norte.

fonte: Planeta Urgente