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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

As surpreendente ecocidades do futuro


Com o avanço da consciência ambiental no mundo, surgem cada vez mais projetos de cidades alternativas, que têm o verde como foco, apresentamos os projetos Ecobay, na Estônia; Ecocity, na Alemanha; e Songdo IBD, na Coreia do Sul.
Ecobay-estoniaEcobay  - O desafio de projetar uma cidade sustentável na península Paljassaare, em Tallinn, Estônia, foi lançado em 2008; e os arquitetos dinamarqueses da Schmidt Hammer Lassen foram os grandes vencedores.
Eles idealizaram um vilarejo de mais de 480 mil metros quadrados para ser habitado por cerca de seis mil pessoas. O local será organizado em pequenos distritos, o que permitirá acesso rápido a todas as necessidades cotidianas, a distâncias facilmente percorridas a pé ou debicicleta.
Os prédios serão projetados para tirar maior proveito da luz natural e a cidade será abastecida por fontes de energia alternativa, incluindo a eólica, geotérmica ehidrelétrica.
A previsão de inauguração do projeto é de 10 a 15 anos.
Ecocity-hamburgoEcocity - Embora a Alemanha já tenha um exemplo de cidade focada na sustentabilidade (Vauban), atualmente o país aposta em outra, a poucos quilômetros do centro de Hamburgo.
Projetado pelas empresas Tec Architecture e Arup, o complexo Ecocity é na verdade uma "cidade dentro de outra cidade”, já que será constituído por um grupo de dez grandes edifícios com apartamentos, centros comerciais e escritórios.
Todos os aspectos são planejados em torno da sustentabilidade, desde a geração de energia, gestão da água e transporte; até a conscientização social (explicando às pessoas sobre o nascimento e desenvolvimento da cidade e criando organismos de controle que atuem em parceria, por exemplo).
Além disso, a intenção é conquistar certificações de credibilidade, como a LEED e BREEAM para todos os edifícios.
Pelo menos 10% da energia da cidade virá de fontes eólicas, e os prédios contarão com iluminação e aquecedores de fonte solar.
Muitos telhados serão cobertos por plantas, para controle de temperatura interior e ambiental, para melhorar a qualidade do ar. A inauguração da Ecocity, no entanto, não possui data prevista.
Songdo-corea-2Songdo IBD – O mais recente projeto de ecocidade é o Songdo IBD, em Incheon, Coreia do Sul. Desenhado pela empresa Kohn Pedersen Fox, trata-se de um complexo de escritórios com mais de 120 edifícios certificados pelas normas LEED, parques, espaços abertos e sistema de transporte público bem planejados.
Com uma área de seis quilômetros quadrados e cerca de 75 mil habitantes, sua construção deve custar cerca de 30 bilhões de dólares.
Como todas as cidades "verdes", a ideia é que Songdo seja facilmente percorrida por meio de transporte público, e que possua muitos espaços verdes.
Diferentemente dos outros projetos, o esforço ecológico em Songdo está em sua construção sustentável, nos espaços naturais e em um meio de transporte “eco”, não na geração de energias alternativas. Sua primeira fase de construção já foi concluída.
Apesar das ecocidades serem tão interessantes, a ideia também foi criticada, elas sugerem que para sermos sustentáveis, teremos de construir novas cidades, e não alterar as já existentes. Entretanto, estas e as cidades mencionadas no primeiro post sobre o assunto são projetos que só vão mostrar sucesso ou fracasso através da prática, e não apenas na teoria. É uma questão de tempo para vermos os resultados.
Mais informações sobre os três projetos:
Ecocity - www.ecocity.de/en - Inhabitat
Songdo IBD - Kohn Pedersen Fox Inhabitat

fonte: TreeHugger

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Materiais reciclados ajudam a urbanizar favela no centro de Buenos Aires

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Ilegalmente instalada entre os maiores pontos turísticos e um dos bairros mais caros de Buenos Aires, a favela Villa 31 tem sido fonte de discussões na capital da Argentina por mais de oito décadas.
Agora, com o apoio de alguns bairros e forte discordância de outros, o governo está liderando um plano de urbanização da área. O projeto utiliza materiais reciclados e trabalho cooperativo para construir novos espaços públicos, serão peças-chave para tornar a área segura e mudar a visão dos moradores.

Plano de fundo: Uma favela na área mais cobiçada de Buenos Aires
A capital da Argentina tem lidado com uma situação bastante peculiar há mais de oitenta anos. A Villa 31 é uma favela que fica próxima da estrada de ferro em Retiro, a dois passos da Avenida Alvear, na Recoleta, um dos bairros mais caros da cidade.
Por ser a primeira parada de centenas de novos imigrantes que chegam todos os anos à cidade (de acordo com o governo, 70% dos habitantes da Villa 31 são estrangeiros) e por ficar em terras devolutas, que pertencem tanto à cidade quanto ao país, seu crescimento não pode ser impedido.

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Mapa mostra a localização da favela. Imagem: Google Maps e Paula Alvarado


Casas precárias de dois e até três andares continuam a ser construídas sem controle de construtoras ou profissionais, sobre solo irregular, o que as coloca em risco constante de desmoronamento.
Dado o fato de que é impossível deter seu crescimento e de que a área é um importante ponto turístico (com a maior rodoviária de viagens domésticas e internacionais, três diferentes estações de trem, muitos shoppings e áreas de turismo próximas), no fim de 2009 o governador local aprovou uma lei de urbanização da favela para incorporá-la como um novo bairro.

Casas ilegais, materiais recicláveis
Com os problemas de orçamento da cidade, retirar fundos dos impostos pagos pelos moradores para melhorar a vida de ocupantes ilegais de terras públicas, geraria grande polêmica.
Então, para prosseguir com o plano investindo o mínimo possível, o governo local está cuidando da urbanização com materiais recicláveis recolhidos de depósitos de lixo e com cooperativas de moradores da Villa 31.

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Tive a oportunidade de visitar a área, em um passeio organizado pelo governo, e conferir algumas das melhoras que foram feitas nos últimos dois anos.
Assim como em Medellín, a reforma está focada no espaço público. Para evitar que os moradores continuem expandindo as construções para novas áreas, o governo construiu novos campos de futebol e parquinhos para crianças, que acabaram se tornando pontos de encontro. Isso também foi importante para organizar o espaço e fazer com que os moradores respeitassem regras e autoridades.
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A frente das casas foi pintada com tinta isolante para melhorar o visual e aumentar a duração dos materiais, conferindo mais cor ao lugar (similar à La Boca, outra área famosa de Buenos Aires) e proporcionando uma visão mais agradável.
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As ruas sujas foram cobertas com pedras retiradas de ruas e concretadas, o que não agradou muito, já que alguns bairros se orgulhavam das românticas pedrinhas. Os postes de iluminação, cujas bases tiveram de ser trocadas (estragadas pelas “necessidades” dos cachorros), mesmo não sendo mais adequados segundo as determinações da cidade, foram instalados nos espaços públicos.
Outros elementos, como equipamentos públicos descartados e cercas, foram recuperados e instalados em diferentes pontos.
Nas duas fotos abaixo, é possível fazer uma boa comparação entre uma viela que foi reformada e outra que ainda está como antes.

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Um projeto controverso, sem dúvida, mas que permite o nascimento de um novo bairro na cidade, mostrando os gigantescos benefícios e papéis que o verde e os espaços públicos podem gerar. O projeto também é destino de toneladas de materiais valiosos que são jogados em depósitos da cidade.

Ainda falta discutir de que maneira as pessoas que vivem na Villa 31 serão incorporadas ao restante da cidade no que refere ao pagamento de impostos e posse de propriedades.