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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Procel Edifica: etiquetagem da eficiência energética


Uma das ações mais comemoradas de 2009 no âmbito da sustentabilidade foi o lançamento oficial pela Eletrobrás e Inmetro do Procel Edifica - Etiqueta de Eficiência Energética para Edificações com área superior a 500 m2. Por ora voluntária e abrangendo as construções públicas, comerciais e de serviços, a etiqueta classifica os edifícios conforme seu desempenho energético que vão de ‘A’ (melhor) a ‘E’ (pior). Leonardo Rocha, da Divisão de Programas de Avaliação de Conformidade do INMETRO, conta nesta entrevista ao AECweb como avança o programa que coloca o país entre os mais atentos com o problema energético. Até o final do ano, será anunciada a etiquetagem para edifícios residenciais, adianta Rocha.
AECweb – Qual o procedimento para etiquetar um edifício?
Rocha -
 O interessado em etiquetar um edifício deve verificar no site do Inmetro a documentação necessária prevista no regulamento. Depois, submeter seu projeto à análise do LabEEE - Laboratório de Eficiência Energética de Edificações da Universidade Federal de Santa Catarina, reconhecido pelo Inmetro. Lá é aplicada toda a metodologia de cálculo que gera a classificação do projeto. Se for uma edificação já construída, o laboratório faz uma análise prévia e uma visita ao prédio pronto, para a inspecionar e avaliar se a obra concluída reflete o que está no projeto.
AECweb – Por enquanto, apenas o LabEEE está credenciado?
Rocha -
 O Procel já capacitou outras 15 instituições, mas que ainda vão passar por um processo de avaliação pelo Inmetro no diz respeito ao atendimento de normas que regem a atuação dos laboratórios. Porém, muitos deles estão avaliando a pertinência de serem ou não designados. É até mesmo uma questão de mercado, talvez prefiram prestar consultoria ao invés de trabalhar oficialmente pelo programa. Pode acontecer que um construtor não saiba como projetar uma edificação atendendo aos requisitos e contrate um laboratório na condição de consultor. Isto também é válido, pois o objetivo é atingido da mesma forma. Ressalvo que as instituições não poderão fazer a avaliação de projetos em que atuaram como consultoras.
AECweb – Então, o laboratório que fizer a consultoria, não fará a auditoria?
Rocha -
 Exato. O laboratório que atuar como consultor num projeto não poderá fazer a avaliação e auditoria desse mesmo projeto, pois isto infringe as normas internacionais. Mas, nada impede que ele faça a avaliação para outros projetos.
AECweb – Esses 15 também são laboratórios de universidades?
Rocha -
 Trata-se de uma peculiaridade do Procel de destinar recursos para laboratórios pertencentes a universidades. Por outro lado, depois de tornado público o regulamento da etiquetagem, a partir de julho de 2009, esse se tornou um negócio, e nada impede que alguém se interesse, monte um laboratório e entre com o pedido de reconhecimento por parte do Inmetro. Ele vai poder atuar à vontade, independente da capacitação pela Eletrobrás.
AECweb – Como foi planejado o atendimento da demanda em relação ao número de laboratórios credenciados?

Rocha -
 Todo programa quando começa é um grande ponto de interrogação. Há 20 anos, quando implantamos o programa de etiquetagem de geladeiras, também não sabíamos como seria a adesão da indústria e como o consumidor se comportaria, afinal ele tem um papel muito importante como agente indutor desse processo. No caso do Procel Edifica, na medida em que o consumidor passar a exigir imóvel construído a partir de critérios da arquitetura bioclimática, a demanda vai aumentando. Por enquanto, temos essa rede de 15 laboratórios que crescerá de acordo com a demanda.
AECweb – Por que cinco anos de prazo para que a etiquetagem se torne obrigatória?
Rocha -
 Esse prazo é uma estimativa, tudo dependerá do comportamento do mercado. Se traçarmos um paralelo com o programa de geladeiras, veremos que demorou 15 anos para se tornar compulsório – a etiqueta passou a ser compulsória de cinco anos para cá. Acreditamos que cinco anos é um prazo razoável para o setor tomar conhecimento do programa, entender bem os aspectos envolvidos e o regulamento. Aí, sim, poderemos fazer uma análise mais aprofundada quanto a compulsoriedade.
AECweb – Quais são os cinco os projetos submetidos à etiquetagem?
Rocha -
 Temos uma agência da Caixa Econômica Federal, em Curitiba; a sede administrativa da Caixa Econômica Federal, de Belém; e, em Santa Catarina, os projetos da Associação Beneficente da Indústria Carbonífera, em Criciúma; a Faculdade Tecnológica Nova Palhoça; e o Laboratório de Engenharia Ambiental da Universidade Federal de Santa Catarina. Esses foram os cinco projetos que se submeteram ao processo de avaliação e obtiveram a classificação com relação aos níveis de eficiência energética previstos na regulamentação das edificações. Uma vez que esses projetos estejam construídos, passarão por um processo de inspeção no local para averiguar se a execução foi feita conforme o projeto. Aí, sim, a etiqueta será aplicada na fachada do prédio.
AECweb – Esses projetos já eram aguardados pelo Inmetro e Eletrobrás?
Rocha -
 A Caixa Econômica Federal participou de todo o processo de elaboração da regulamentação do Procel Edifica, por se tratar de órgão financiador da construção. Seu interesse na etiquetagem é grande, conseqüentemente, como forma de dar o exemplo, submeteu dois dos seus vários projetos ao processo. Outro projeto é do edifício da faculdade dentro da própria Universidade Federal de Santa Catarina que faz as avaliações. As outras edificações resultam de um trabalho corpo-a-corpo feito pelos agentes envolvidos no sentido de angariar mais adesões.
AECweb – Com muito esforço do professor Roberto Lamberts, do LabEEE?
Rocha -
 Exatamente, ele foi, tecnicamente, o ator central da regulamentação publicada pelo INMETRO.
AECweb – Há intenção de ampliar a etiquetagem para o segmento residencial?
Rocha
 - A regulamentação residencial está em processo de elaboração e estimo que até o final do ano seja publicada. Esse tempo é necessário porque, uma vez terminada a regulamentação, passamos por uma fase de simulação. Ou seja, o Laboratório de Eficiência Energética em Edificações fará uma série de simulações para avaliar a aplicabilidade da metodologia. Posteriormente, o Inmetro publica a regulamentação para edifícios residenciais.
AECweb – Existe um número ideal em termos de expectativa de economia de energia?
Rocha -
 Os estudos preliminares apontam para uma expectativa de economia de energia em 50% em prédios novos que tenham incorporado, desde a fase de projeto, itens relacionados à eficiência energética. Já para os edifícios existentes e retrofitados, a economia cairá para 30%.


fonte: AECweb

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Notícia do Dia - Ajuda eficiente



O interessado em comprar um imóvel conta com mais um aliado na hora de avaliar o negócio – a etiqueta que aponta o nível de eficiência no uso da energia elétrica das edificações. Fruto da parceria entre o Procel Edifica, subprograma da Eletrobras/Procel, e o Instituto de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), a etiqueta já foi emitida para 80 edificações, sendo 54 para construções comerciais e 26 residenciais. Juntos, estabelecimentos comerciais e residências representam 43% do consumo de energia elétrica no Brasil, segundo dados daEmpresa de Pesquisa Energética (EPE).

A bem sucedida experiência de classificação e etiquetagem de eletrodomésticos, divididos em cinco faixas de consumo, serviu de modelo para a etiqueta das edificações, que começou a ser emitida em 2009 para edifícios públicos e comerciais e em 2010 para residências. Uma construção certificada na faixa A, a mais eficiente, chega a proporcionar ao usuário uma economia de 30% a 50% na conta de luz. “Basta que o arquiteto e o engenheiro façam um projeto eficiente. Se isso não ocorrer, o custo acaba transferido para o usuário”, alerta Fernando Perrone, gerente do Departamento de Projetos de Eficiência Energética (DTP) da Eletrobras/Procel.

Bem de maior durabilidade que pode ser adquirido por uma pessoa física, a residência tem seus custos de manutenção cada vez mais levados em conta na hora da compra. Experiências do mercado imobiliário demonstram que o consumidor está, sim, disposto a desembolsar mais agora para economizar no futuro. “Pesquisas no Guarulhos Flex apontaram que 62% dos clientes que conheciam a etiqueta Procel Edifica estavam dispostos a pagar mais pelo apartamento, ou seja, a perspectiva de aceitação é promissora”, avalia Mauricio Bernardes, gerente de Desenvolvimento Tecnológico da construtora Tecnisa. Com imóveis avaliados em mais de R$ 100 mil, o Guarulhos Flex foi o primeiro empreendimento do estado de São Paulo a receber a etiqueta Procel Edifica. O condomínio ficou classificado na faixa B de consumo, o que representa um aumento de 1% a 1,5% nos preços dos apartamentos.

A tendência, de acordo com o gerente da Tecnisa, é que os consumidores exijam cada vez mais imóveis sustentáveis, pois eles estão entendendo claramente – e valorizando – os benefícios de construções com alto padrão em termos de sustentabilidade. Assim, de acordo com Bernardes, “a aderência da sociedade e a credibilidade da etiqueta Procel para eletroeletrônicos foi vista pela Tecnisa como uma oportunidade de adotar o mesmo conceito para edificações”.

Ventilação, iluminação e água

A boa utilização da ventilação e iluminação naturais, a eficiência dos sistemas de aquecimento de água e o desempenho térmico de revestimentos em coberturas e fachadas são alguns dos requisitos técnicos considerados no processo de etiquetagem, segundo os padrões estabelecidos em conjunto pela Secretaria Técnica de Edificações, coordenada pelo Procel Edifica, e o Laboratório de Eficiência Energética em Edificações da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A ideia é integrar os conceitos de conforto ambiental da arquitetura aos de construção sustentável da engenharia civil.

Para que essa integração seja possível, porém, é essencial que os profissionais que planejam as edificações tenham consciência de que ela não só é possível como desejável. “Atuamos diretamente no processo de formação e capacitação de mão de obra qualificada”, informa Perrone. Nessa frente educacional, a Eletrobras/Procel trabalha em parceria com 14 universidades federais, espalhadas por todas as regiões brasileiras, e uma privada, a PUC do Paraná.

O trabalho do Procel Edifica começa a ser valorizado pela sociedade. Por atuar não só na elaboração de processos de certificação de eficiência energética para edificações, como também na pesquisa acadêmica, capacitação de profissionais, conscientização da população e disseminação de boas práticas no mercado, o programa foi indicado ao prêmio Green Building Brasil na categoria "Políticas Públicas Sustentáveis". Saiba mais aqui.

fonte: ProcelInfo

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Saiba por que a lâmpada fria economiza 75% em relação à quente




Brasil - De acordo com uma projeção da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o consumo de energia elétrica crescerá 4,8% ao ano até 2020. Isso significa que o gasto em residências subirá dos 107,2 GWh registrados em 2010 para 166,9 GWh daqui a uma década. Mas é possível reduzir esses números a partir de pequenos hábitos - como apagar as luzes nos cômodos sem utilização - e do uso otimizado dos equipamentos e utilitários domésticos. As lâmpadas, por exemplo, podem economizar até 9,6 kW por mês - considerando quatro lâmpadas comuns ligadas cinco horas por dia.

Há dois tipos principais de lâmpadas usadas em casas: as incandescentes, ou amarelas, e as fluorescentes, ou brancas. Essas últimas, de acordo com o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), são as que mais economizam luz - até 75% em relação ao primeiro tipo, conhecido também como "comum". O gasto menor se deve ao modo como as duas funcionam e à quantidade de energia elétrica gasta para gerar uma mesma quantidade de luminosidade.

As incandescentes têm um filamento de tungstênio, metal com o maior ponto de fusão entre os conhecidos pela química. Quando a corrente elétrica passa pelo fio, faz com que os elétrons se choquem e liberem luz e calor. A luz se espalha pelo gás que existe dentro do bulbo de vidro da lâmpada, iluminando o ambiente. Em uma lâmpada queimada, o filamento de tungstênio está partido e a energia não consegue chegar ao outro lado, ou seja, não há produção de luz.

As lâmpadas fluorescentes não têm fios de metal. Elas são em formato de tubo - grande e único, ou pequenos e curvados - dentro do qual há gás ou vapor. Quando a corrente elétrica passa por esse meio gasoso, produz luz. O calor dissipado é muito menor - por isso essas lâmpadas também são conhecidas como frias, enquanto as amarelas são chamadas de quentes.

Mas não é por causa da temperatura que as lâmpadas fluorescentes são mais eficientes do que as incandescentes: é por causa da quantidade de luz em relação ao gasto de energia. A quantidade de luz é medida pelo fluxo luminoso, cuja unidade é o lúmens, abreviado lm. O consumo é medido em quilowatts-hora (kWh), ou seja, está ligado à potência da lâmpada.

Na prática, isso significa que uma lâmpada branca de 40W gera o mesmo gasto de energia que uma lâmpada amarela de 40W. A diferença é que a lâmpada fria emite cerca de 3 mil lúmens, enquanto a quente emite apenas 600 lm. Fazendo as contas, no lugar de uma lâmpada incandescente de 40W para iluminar a sala de estar, poderia ser usada uma lâmpada fluorescente de 8 W, com o mesmo resultado final em termos de iluminação - e cinco vezes menos consumo de energia elétrica.

Entre as fluorescentes, um dos tipos mais comuns é o tubular, que precisa de um reator para adequar a tensão da rede elétrica (medida em volts). Já no caso das lâmpadas fluorescentes compactas ou circulares (LFC), o reator vem acoplado à lâmpada - há diferença entre as bases de encaixe, que exigem bocais específicos, e as de rosca, que podem ser instaladas nos soquetes de lâmpadas incandescentes comuns. Os modelos fluorescentes compactos têm tubos em forma de U ou arco, enquanto os circulares têm formato, como o nome indica, completamente circular - e precisam de adaptadores para serem ligadas a bocais comuns.

Para uso residencial, o Procel indica as lâmpadas brancas, pois têm durabilidade de seis a oito vezes maior do que as amarelas e alta eficiência, com baixo consumo de energia. Elas são ideais para o uso em ambientes em que passam mais de quatro horas ligadas. O Programa também indica o uso para minuteiras, que acendem por um minuto quando o interruptor é acionado, e para as acionadas por sensor de presença, que só permanecem ligadas enquanto há movimentação no ambiente, mas faz a ressalva de que a economia, nesse caso, não é tão grande.

E quem garante que há, realmente, economia de energia com as lâmpadas brancas? O próprio Procel. O selo do Programa indica que a lâmpada foi testada e atende a parâmetros de economia e durabilidade - todo ano, fabricantes reapresentam os modelos para novos testes. O Selo também funciona como garantia de que lâmpada não vai queimar no período de 12 meses - não incluídos problemas causados por mal uso. Segundo o Procel, o Selo serve, mais do que isso, para orientar o cliente sobre quais os artigos que oferecem, de fato, o que a tecnologia promete, evitando decepções que poderiam levar os consumidores a abandonar seu uso.

Fonte: Procel