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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Produção de lixo cresce seis vezes mais do que população

  
Débora Spitzcovsky
Divulgado pela Abrelpe, o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, referente a 2010, apontou que a produção de lixo no país cresceu seis vezes mais do que a população. E mais: a quantidade de resíduos com destinação inadequada aumentou quase dois milhões de toneladas, em relação a 2009
Produzido anualmente pela Abrelpe - Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil referente ao ano de 2010 não trouxe boas notícias aos brasileiros: o estudo mostrou que, no ano em que foi criada a PNRS - Política Nacional de Resíduos Sólidos, a produção e destinação final do lixo brasileiro sofreu retrocessos.

Segundo a pesquisa, o volume de RSU - Resíduos Sólidos Urbanos gerado em 2010 pela população é 6,8% superior ao registrado pelo Panorama em 2009. Foram quase 61 milhões de toneladas de lixo produzidos nos últimos doze meses e o aumento populacional no país não é desculpa para esse crescimento: o estudo mostrou que a geração de resíduos aumentou seis vezes mais do que a população em 2010, o que significa que, no último ano, cada brasileiro produziu, sozinho, uma média de 378 kg de lixo.
E as más notícias não param por aí: o Panorama concluiu, ainda, que a quantidade de RSU com destinação inadequada aumentou quase dois milhões de toneladas, com relação a 2009: foram 23 milhões de toneladas encaminhadas a lixões e aterros controlados - que, por não possuírem mecanismos adequados de disposição e armazenamento do lixo, contaminam o solo e a água - contra 21,7 milhões, em 2009. A região que apresenta o pior índice de destinação inadequada é a centro-oeste, que encaminha mais de 71% do lixo que produz para lixões e aterros controlados.
Em seguida aparece:
- Nordeste, com 66%;

- Norte, com 65%;

- Sul, com 30,3% e

- Sudeste, com 28%3, onde situa-se o Estado com menor percentual de destinação incorreta de lixo: São Paulo, que é, ainda, o que mais produz RSU no Brasil: são mais de 55 mil toneladas por dia. O Rio de Janeiro, que ocupa a segunda posição do ranking, produz cerca de 20 mil toneladas diárias de lixo.

NEM TUDO ESTÁ PERDIDO Apesar das más notícias, o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil de 2010 também registrou alguns resultados positivos:

- o volume de lixo coletado pelos serviços públicos de limpeza do país cresceu 7,7%, com relação a 2009, e
- a quantidade de iniciativas de coleta seletiva também aumentou.

Atualmente, 57,6% dos municípios brasileiros possuem projetos de coleta seletiva, embora os percentuais regionais ainda sejam bastante desiguais: cerca de 80% das cidades do Sudeste possuem tais iniciativas, contra menos de 30%, no centro-oeste.

A íntegra do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil de 2010 já está disponível para download no site da Abrelpe.

domingo, 4 de setembro de 2011

Sacolas plásticas podem ser melhor que as retornáveis?

Depois de ser “demonizada” pelos consumidores preocupados com o meio ambiente, a sacola plástica parece ter encontrado seu lugar. Ao menos por ora – e aqui no Brasil. Um amplo estudo realizado pela Fundação Espaço Eco, única organização no país que faz análises de ecoeficiência (considera aspectos ambientais e econômicos) de produtos e processos industriais, analisou o impacto de oito tipos diferentes de sacolas para carregar compras: a sacola plástica tradicional, a feita de plástico verde (a partir de cana-de-açúcar), a oxi-degradável, de papel, de TNT (material dos saquinhos dados por lava-rápidos) e as sacolas renováveis de plástico, tecido e ráfia (um tipo de fibra usada em sacolas vendidas por alguns supermercados). O resultado foisurpreendente: dependendo dos hábitos do consumidor, é preferível utilizar as sacolas plásticas em vez das renováveis.

Os tipos de sacolas analisadas pela Fundação Espaço Eco (Foto: Divulgação)

Para as pessoas que fazem poucas compras, as sacolas plásticas (convencional, verde e oxi-degradável) se mostraram as mais indicadas tanto do ponto de vista ambiental (causam menos impacto quando considerado o processo completo, da produção à reciclagem do plástico) quanto do econômico – podem ser utilizadas como saco de lixo.

Neste caso, o levantamento considerou uma compra mensal de 26,5 quilos, equivalente a uma cesta básica. A condição para que a opção pela sacola plástica valha a pena é que o indivíduo faça compras e descarte o lixo, no máximo, duas vezes por semana.

No extremo oposto, as sacolas renováveis são mais indicadas para consumidores que fazem muitas compras ao mês. Isso porque, ao ir várias vezes ao supermercado, o indivíduo não necessariamente compra mais produtos, mas acumula mais sacolas. A opção pelas de pano, de ráfia, plástico retornável ou TNT, logicamente, reduz este impacto.

Além da quantidade de produtos adquiridos ao longo do mês, outros dois aspectos condicionam a escolha por um ou outro tipo de sacola: a freqüência com que a família vai ao mercado e o número de vezes que descarta o lixo. O ideal, segundo os pesquisadores, é aproveitar ao máximo a capacidade da sacola e reduzir o número de descartes por semana.

O levantamento, patrocinado pela Braskem, simula várias opções para uma família que consome 212 quilos por mês (cerca de oito cestas básicas). Neste caso, só compensará utilizar sacolas retornáveis caso o descarte de lixo seja feito no máximo duas vezes por semana – independentemente da freqüência com que se vai ao mercado.

Entre os extremos de baixo e alto consumo, está o caso base da compra de 106 quilos ao mês (aproximadamente quatro cestas básicas). Para um consumo neste patamar, as sacolas plásticas ainda se mostram mais vantajosas caso as compras sejam feitas até três vezes por semana e o descarte de lixo, até duas vezes.

Esquema orienta sobre que tipo de sacola usar de acordo com os hábitos do consumidor.

Na análise, os técnicos da Fundação Espaço Eco consideraram aspectos como o consumo de energia para fabricar as sacolas, o uso da terra, o tipo de recurso natural empregado, potenciais de risco e de toxidade e asemissões ao longo de toda a cadeia – da extração da matéria-prima à reciclagem pós-consumo, ao longo de um ano. Isso significa que, no caso das bolsas retornáveis, cuja vida útil é de ao menos dois anos, o impacto ambiental poderia ser ainda menor.

Os pesquisadores dão um norte aos consumidores: à medida que o volume de compras e a freqüência das idas ao mercado aumentam, melhor optar pelas sacolas retornáveis. Na direção oposta, quando o número de descartes de lixo feito por uma família de consumo alto também é grande, as sacolas plásticas se mostram adequadas.

“O ideal, com o aumento do volume de compras, é reduzir a freqüência do descarte”, afirma Hélio Mattar, diretor presidente do Instituo Akatu, organização que promove o consumo consciente.

Este foi o primeiro estudo a comparar diferentes tipos de sacolas, dentro da realidade brasileira. Pesquisas em outros países, onde a matriz energética, a logística e outros fatores divergem dos do Brasil, já apresentaram resultados diferentes.


terça-feira, 30 de agosto de 2011

Coleta seletiva e saneamento registram avanços no país, aponta SNIS

fonte: EcoD

As ligações de distribuição de água, os sistemas de esgotamento sanitário e a coleta de lixo cresceram no país entre 2008 e 2009, segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), com base em informações do Ministério das Cidades.

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Apesar dos avanços, coleta seletiva ainda é insuficiente. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

De acordo com o SNIS, houve no período um aumento da cobertura do serviço regular de coleta domiciliar de resíduos sólidos, equivalente a 93,4%. A destinação final totalizou o montante de 24,9 milhões de toneladas de resíduos domiciliares e públicos. Foram despejados em aterros sanitários 16,2 milhões de toneladas, mais 5,9 milhões de toneladas para aterros controlados, 1 milhão de toneladas para unidades de triagem e de compostagem e 1,8 milhões de toneladas foram depositadas em lixões.

O SNIS também identificou 1,6 milhão de novos usuários do serviço de abastecimento de água, o que corresponde a um aumento de 16,6 mil quilômetros nas redes de distribuição em todo o país.

O esgotamento sanitário teve 1,1 milhão de novas ligações no período, quando foram instalados 16,5 mil quilômetros de novas redes de escoamento. O volume de esgoto tratado no país, atualmente, chega a 237 milhões de metros cúbicos.

Houve, no período avaliado, elevação de 215 milhões de metros cúbicos na produção de água, mas o consumo ficou em apenas 25% desse potencial, equivalente a 53,9 milhões de metros cúbicos.

Em 2009, o abastecimento de água beneficiou 4.891 municípios e o sistema de esgotamento sanitário, 2.409 municípios. Os números correspondem a 97,2% e a 81,5% do total da população urbana do país, respectivamente em relação à rede de abastecimento de água e à de esgoto.

O maior índice de atendimento total com abastecimento de água encontrado foi encontrado em Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, no Paraná e no Distrito Federal. Nenhuma unidade da Federação ficou na faixa de menor índice, ou seja, com taxa menor que 40% de atendimento total de água.

Alcance da coleta segue insuficiente

Apesar dos avanços registrados no ano de 2009 em relação a 2008, a coleta seletiva só chegava a 56,9% dos municípios brasileiros em 2007, segundo dados do próprio Ministério das Cidades. Já a cobertura média da coleta alcançava 90% das cidades, à época.

Em relação ao saneamento básico, um levantamento divulgado em julho de 2010 revelou que 57% da população brasileira ainda não têm acesso a esgoto tratado e 19% não contam com o abastecimento de água, embora os investimentos para melhoria e expansão da rede de abastecimento de água tenham aumentado, em média, 12% ao ano no período de 2003 a 2008, passando de R$ 1,3 bilhão para R$ 2,2 bilhões.

O SNIS é o maior banco de dados do setor de saneamento no país e serve para traçar políticas públicas nos três níveis de governo (federal, estadual e municipal), sendo usado também para basear decisões na área do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O trabalho é elaborado anualmente pela Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades. Neste mês, a secretaria lançou a 15ª edição do Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgotos e a 8ª edição do Diagnóstico de Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos, referentes a 2009. As informações são fornecidas por prestadores de serviços e abrangem aspectos operacionais, administrativos, econômico-financeiros, contábeis e da qualidade dos serviços.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

No Reino Unido, coleta quinzenal aumenta a reciclagem do lixo



O que serve para um país nem sempre serve para outro. Mas pode, no mínimo, ser observado como benchmarke até inspirar uma versão tropicalizada de um programa ou tecnologia. Um exemplo disso é o sistema de coleta de lixo reciclável adotado por vários municípios do Reino Unido.

Segundo um levantamento feito pelo site letsrecycle.com, publicado hoje pelo The Guardian, dos dez distritos com os maiores índices de aproveitamento dos resíduos, nove adotaram a coleta quinzenal de materiais recicláveis, em semanas alternadas às da coleta do lixo comum, orgânico.

Quando o serviço começou a ser adotado por algumas empresas no país, políticos conservadores chegaram a criticar a medida, dizendo que ela não era higiênica e pedindo a volta da coleta semanal. Mas os coordenadores regionais afirmam que a coleta quinzenal funciona, é mais barata e que os moradores estão adaptados ao esquema. Hoje, entre as dez regiões com melhor desempenho de reciclagem no Reino Unido, a menor taxa de reciclagem foi de 58,1%.

O distrito de South Oxfordshire bateu o recorde de aproveitamento do lixo no país, dando um fim correto – reciclagem ou compostagem – a 71% dos resíduos produzidos por seus habitantes. No local, os materiais recicláveis (alumínio, latinhas, papel, plástico, caixas de alimentos e bebidas, aerossóis e chapas metálicas, entre outros) são separados de forma diferente. Eles são colocados em um único tipo de latão e coletados a cada 15 dias. Restos de comida continuam sendo coletados todas as semanas.

Os latões também são dotados de um software e microchips que ajudam os moradores a tirar suas dúvidas sobre o que pode ser depositado ali. O porta-voz da empresa encarregada dos serviços explica que dispor embalagens de matérias-primas diferentes no mesmo lugar, para os moradores, é mais prático do que colocá-las em vários compartimentos diferentes.

fonte : http://colunas.epocanegocios.globo.com/empresaverde/2011/08/22/no-reino-unido-coleta-quinzenal-aumenta-a-reciclagem-do-lixo/